Hoje, disponibilizamos publicamente a nossa notação em saúde para qualquer profissional usar livremente. Este artigo explica porque o fizemos.

A necessidade de padronizar as melhores-práticas

Com a evolução da medicina enquanto ciência nos tempos modernos, a prática baseada na evidência assumiu um papel proeminente no dia-a-dia da prestação de cuidados.

Hoje, para as doenças mais comuns e bem conhecidas, é esperado que os médicos prescrevam exames custo-efectivos, usem fármacos seguros e eficazes e que sigam o doente considerando uma correcta gestão de risco e prognóstico.

No entanto, estas melhores-práticas são atualmente traduzidas para algoritmos de atuação clínica (ou seja, protocolos/diagramas/fluxogramas) de forma totalmente aleatória.

Hoje, as notações de diagramas/algoritmos/protocolos em saúde são totalmente distintas.

Os problemas com diagramas médicos desenhados sem regras

Se alguém, seja médico, hospital ou sociedade médica desenha um algoritmo com total liberdade criativa, vários problemas surgem.

1) Complexidade

Protocolos de atuação podem ser complexos, mesmo na tradução digital, pois incluem múltiplos artefactos inventados para doenças específicas.

2) Ambiguidade

Algoritmos desenhados de forma diferencial têm o risco de ser ambíguos, o que pode resultar em prejuízo da segurança do doente.

3) Especificidades

Cada especialidade tem a sua notação, o que bloqueia o cruzamento de algoritmos e afecta o desenho de cuidados integrados e centrados no doente.

4) Aprendizagem extenuante

Os novos médicos têm que estar constantemente a aprender novas representações de protocolos.

5) Isolamento

Todos os problemas acima mencioados criam divisões e isolam potenciais colaborações na definição dos algoritmos de boas-práticas, normas ou orientações clínicas.

A solução: uma notação livre para a Saúde

Noutras áreas do conhecimento, as notações já foram desenvolvidas e disseminadas (e.g. BPMN, UML), mas tal não é verdade para a medicina.

Hoje, disponibilizamos publicamente a nossa notação médica, para qualquer profissional de saúde.

A nossa proposta: UpHill Notation

Temos estado a utilizá-la com profissionais de saúde muito diversos e tem sido excelente:

1) Analógico

A notação está desenhada para qualquer pessoa usar com papel e caneta (ou whiteboard). Esqueçam softwares complexos e vamos usar instrumentos já testados há séculos para traduzir os nossos pensamentos e conhecimento em algoritmos de atuação clínica.

2) Simples

Com apenas 3 símbolos (rectângulo, losango e círculos) podes representar uma vastidão de ações clínicas.

3) Flexível

A notação foi desenhada de forma abstraccionada de conceitos específicos de doenças ou de especialidades. É totalmente flexível e permite desenhar qualquer algoritmo médico.

4) Perceptível

A notação é fácil de ler e levar-te-á a clarificar conceitos complexos. Como tal, facilita colaboração para que possas desenvolver os protocolos em conjunto com a tua equipa ou individualmente.

Esta é a primeira versão da notação em saúde e estaremos a atualizá-la com base no teu feedback.

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