A simulação de alta fidelidade entrou em todas as áreas das ciências da saúde, com particular destaque para nas áreas da medicina e da enfermagem. Na sua génese, em parte, esteve a aprendizagem feita pelos processos de formação na aviação; percebeu-se que é necessário manter proficiência tanto em situações críticas pouco frequentes como em situações menos críticas que ocorrem diariamente.

No que se refere à evolução histórica da simulação na área da saúde, a sua utilização tornou-se mais frequente e abrangente, a partir do séc. XVIII, primeiro na Europa e, só depois, nos Estados Unidos da América. Especialidades como a Obstetrícia ou a Anestesiologia estiveram na vanguarda do desenvolvimento e aplicação da simulação. Nas duas últimas décadas verificou-se um extraordinário desenvolvimento desta área e um crescimento exponencial da sua aplicação na formação de alunos e profissionais de saúde e uma forte consciencialização face a esta metodologia, para a qual não terá sido indiferente a publicação, em 1999, pelo  Institute of Medicine, do relatório sobre o impacto dos erros médicos, bem como as preocupações em torno da segurança do doente que têm marcado a agenda política e mediática um pouco por todo o mundo.

Internacionalmente, várias instituições educativas definiram horas de formação baseada em simulação em complementaridade com as horas de prática clínica em contexto real. A evidência científica mostra que a simulação produz resultados positivos no ensino, já que diminuiu as assimetrias entre a teoria e a prática assistencial, permite controlar uma sequência de tarefas e previne situações de risco, na medida em que consente falhas e confronta cada aluno com os seus limites. Também as organizações de saúde procuraram assegurar a educação contínua dos profissionais de saúde através da utilização de centros de simulação. O procedimento revelou-se igualmente relevante para aumentar o grau de confiança dos profissionais em momentos críticos em que o tempo para tomar decisões é curto, aumentar qualidade do atendimento a doentes com doenças crónicas, como por exemplo a diabetes ou a asma, e  melhorar os resultados para o doente.

São vários os Centros de Simulação em Portugal e no Mundo, ligados a Universidades, Institutos Politécnicos, Instituições de Saúde e outros de iniciativa puramente privada. Mas o que distingue estes projetos uns dos outros? A tecnologia que aplicam? E quando a torneira do investimento seca, como se mantêm esses centros abertos?

Os projetos de formação e treino vão muito além da tecnologia. A inclusão da simulação de alta-fidelidade e, admitamos, de baixa fidelidade, é um passo importante na criação e manutenção de elevados níveis de competência técnica e não técnica nos profissionais de saúde. Mas é um passo, não é a caminhada. Há que definir os objetivos institucionais para a formação e utilizar métodos que permitam aferir a qualidade dessa formação. Não é o investimento que determina o êxito dos programas de simulação, mas sim a forma como se otimizam os custos e se maximiza a sua utilidade. A fragmentação e a fraca padronização das ideias e parâmetros inerentes ao desenho, organização e desenvolvimento destes programas podem criar barreiras à sua eficácia e travar o seu desenvolvimento.

O investimento deve, por isso, ser centrado nas pessoas, doentes e profissionais, que vão beneficiar do treino continuado, estruturado e bem planificado, numa perspectiva multidisciplinar. Esquecer isso é ditar o insucesso dos projetos que envolvem simulação.

Na UpHill sabemos isso. Temos 10 anos de know-how em integração de simulação no ensino médico e foi isso que nos uniu e é essa a nossa visão.