Vivemos hoje tempos excepcionais que levaram a Organização Mundial da Saúde (OMS) a considerar que o mundo entrou em "território desconhecido", referindo-se ao contágio em grande escala do  SARS-COV-2. Bastou um mês para que a situação fosse declarada emergência global. Em Portugal, o primeiro caso de infeção foi confirmado no início de março e, no dia em que publicamos este artigo, o número de infetados no país ultrapassa os 10 mil.

Para responder à pandemia, os prestadores de cuidados de saúde foram obrigados a reorganizar-se, a criar as Áreas Dedicadas COVID-19 (ADC) em hospitais e centros de saúde, com impacto imediato na divisão das equipas e na sua rotatividade. O ambiente é exigente – pedem-se respostas rápidas e certeiras aos profissionais de saúde – e tem repercussões diretas nos níveis de stress das equipas.  Lidar com a complexidade e com a incerteza que caracterizam o contexto atual não são tarefas fáceis, mas uma coisa é certa: a capacidade de dar indicações claras, delegar e adaptar a estratégia definida ao feedback recebido são características indispensáveis para quem gere equipas de saúde num contexto como o atual.

“Como manter a coesão da sua equipa em tempos de COVID-19?” foi a pergunta de partida para mais uma sessão das “Noites Contra o COVID-19” que contou com a participação de Diogo Silva e Isabel Azevedo da Nobox, e Alexandra Fernandes, especialista em Medicina Geral e Familiar da USF Fernão Ferro. As respostas passam por humanizar as equipas, estar atento aos sinais de cada elemento, expor fragilidades e adequar o feedback para não ativar emoções negativas. Uma nota final para a necessidade de  gerir a energia e as horas de descanso de forma a garantir níveis de produtividade a médio e longo prazo, até porque estamos numa maratona que ainda agora começou.

“Noites contra o COVID-19” é um ciclo de webinars que junta diversas entidades do setor para um debate credível e abrangente em torno da resposta à pandemia do novo coronavírus. A iniciativa é promovida pelo projeto COVID19PTCiência que junta a plataforma Evidentia Médica, a Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP), a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) e a UpHill. Acompanhe as próximas sessões, aqui.