Falar em Saúde significa falar de pessoas. Essencialmente, dois tipos de pessoas: as que prestam cuidados e as que os recebem. Nesta dicotomia, todos os prestadores de serviços de saúde têm, a longo prazo, o mesmo objetivo - fornecer o melhor atendimento médico possível, ao menor custo, garantindo a sua competitividade e viabilidade futura. E, para cumprir esta meta, a capacidade de encontrar, contratar e reter pessoal adequado revela-se fulcral.

A motivação e a retenção dos profissionais de saúde representa um importante desafio tanto nos países ocidentais, onde o contexto demográfico marcado pelo envelhecimento da população tem reflexos no aumento significativo de doenças crónicas e pessoas com múltiplas patologias que exigem uma vasta complexidade de cuidados, como nos países em desenvolvimento, onde a escassez de especialistas afeta todas as profissões médicas. Segundo projeções globais, em 2030, serão precisos 80 milhões de profissionais de saúde qualificados.

Além da remuneração adequada, a reputação de uma empresa e satisfação individual desempenham papéis fundamentais no recrutamento e retenção de profissionais, especialmente num contexto em que as gerações mais novas valorizam, cada vez mais, as oportunidades de formação promovidas pelas empresas e apenas 28% espera ficar mais de cinco anos no mesmo emprego. O mercado de trabalho atual é ainda moldado por mudanças científicas e tecnológicas rápidas e profundas que exigem capacidade de adaptação tanto de quem contrata, como de quem é contratado. Aliás, a necessidade de melhorar as estratégias de Learning & Development foi o principal aspeto apontado pela Deloitte num relatório sobre tendências de Capital Humano. De acordo com o mesmo estudo, a oportunidade de aprender, no sentido lato da palavra, é uma das principais motivações no momento de aceitar uma oferta de emprego e garantir programas de formação ao longo da vida, cada vez mais personalizados, tornou-se um fator de competitividade relevante entre empresas.

No setor da saúde em particular, o ritmo acelerado com que a inovação, tecnológica ou não, acontece, corrobora a necessidade de atualização inerente à prática clínica desde sempre. A educação médica contínua conduz a uma menor rotatividade e, consequentemente, reduz o esforço e os gastos necessários para o recrutamento bem-sucedido. Dados globais mostram que as empresas que promovem a discussão de erros e a atualização dos profissionais são três vezes mais lucrativas e têm taxas de retenção até quatro vezes melhores do que aquelas que não têm programas de formação. Estas são apenas algumas das razões pelas quais, em 2017, 79% das organizações de saúde em todo o mundo já admitiam ajustar a estratégia de recrutamento, no sentido de refletir as competências e estruturas necessárias num futuro próximo, e 82% já incluía digital training nos programas de educação médica contínua.

A educação médica é uma tendência crescente e representa um investimento anual de mais de dois mil milhões de dólares, nos EUA. A relação custo-benefício revela que além de melhorar a satisfação pessoal no trabalho e as competências técnicas dos profissionais, os programas de formação contribuem também para uma gestão eficiente dos recursos disponíveis e para elevados níveis de retenção de pessoal. Adicionalmente, está provado que a motivação dos profissionais está diretamente relacionada com a qualidade dos cuidados prestados, com o desempenho das equipas e das organizações, e, no fim da linha, com a segurança dos doentes.