Num comunicado enviado às redações no início de março, o Conselho de Escolas Médicas Portuguesas (CEMP) recomendou a suspensão de “todas as atividades letivas presenciais nas Escolas e nos Hospitais e Centros de Saúde associados”, “considerando a grande mobilidade de estudantes e docentes em ambiente hospitalar”. Uma resposta das Faculdades de Medicina face à evolução do COVID-19 em Portugal, que levantou, automaticamente, questões sobre a prática clínica dos estudantes, bem como em torno da avaliação.

O tema foi mote para a conversa entre Sara Meirinhos, diretora de Educação Médica da Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM), e Joaquim Ferreira, presidente do Conselho Pedagógico da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL), no segundo webinar do ciclo “Noites contra o COVID-19”, moderado por Ricardo Carvalheiro, da Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Médicas - NOVA Medical School.

Do lado dos estudantes, as principais preocupações recaem no impacto que o contexto extraordinário atual possa ter na formação e, consequentemente, na futura prestação de cuidados e, adicionalmente, na equidade dos momentos de avaliação. Sobre como será feita a recuperação de aulas práticas, o CEMP já havia dito a solução será estruturada com a tutela, Joaquim Ferreira reforçou, nesta conferência, que estão a ser planeados um conjunto de estágios de formação prática não prevista no contexto habitual. A questão da avaliação está a ser definida por cada escola, mas “os formatos mais exigentes do ponto de vista do corpo docente podem não ser exequíveis”.

“Noites contra o COVID-19” é um ciclo de webinars que junta diversas entidades do setor para um debate credível e abrangente em torno da resposta à pandemia do novo coronavírus. A iniciativa é promovida pelo projeto COVID19PTCiência que junta a plataforma Evidentia Médica, a ANMSP, a APMGF e a UpHill. A próxima sessão é dedicada ao tema “Como manter a coesão da sua equipa em tempos de COVID-19?”.