Em tempos de crise, epidemias e outros fenómenos com impacto global, o sentido de urgência que se cria, quase de imediato, devido à rapidez com que a informação (e desinformação) se difunde, exige respostas rápidas e deixa pouca margem para o erro. Urge, por isso, desenvolver soluções dirigidas às necessidades imediatas e atualizá-las de acordo com a evolução dessas circunstâncias.

Foi isso que fizemos. Sabemos que a simulação é uma metodologia educacional que, pela interatividade que lhe é intrínseca, permite melhorar o conhecimento e a performance clínica em treinos rápidos e, consequentemente, melhorar os níveis de confiança dos profissionais. Por isso, disponibilizamos, no UpHill Simulate, um curso prático de abordagem à COVID-19, para apoiar os profissionais de saúde nas suas tomadas de decisão, facilitar o acesso rápido e sistematizado aos protocolos de atuação e à informação científica disponível, e testar as competências práticas na abordagem diagnóstica e terapêutica ao novo coronavírus.

Numa altura em que a pressão sobre os sistemas de saúde aumenta à mesma velocidade com que o vírus se propaga, e que levou a Organização Mundial da Saúde a considerar que o mundo entrou em "território desconhecido", exigem-se respostas rápidas e certeiras dos prestadores de cuidados. A simulação em diferido representa, assim, uma janela de oportunidade para reduzir incertezas e aprender num ambiente seguro, realístico, previsível e sem risco, tanto para profissionais como para os doentes. Na prática, esta simulação permite antecipar o contacto de médicos ou outros profissionais que ainda não tenham sido expostos à doença, através de um caso clínico virtual, e tornar claras e rotineiras sequências de ações até então pouco familiares ou mesmo desconhecidas.

Há pouco mais de dois meses o mundo acordou para esta doença. No final de janeiro, a Organização Mundial da Saúde declarou este surto como emergência de saúde pública internacional e, entretanto, como uma pandemia. Em Portugal, o primeiro caso de infeção foi confirmado no início do mês. Para o Ministério da Saúde, neste momento, o mote é contenção, mas as autoridades afirmam estar já a preparar a resposta para a fase seguinte, quando existir transmissão comunitária e não for possível descobrir a origem das cadeias de transmissão. As informações sobre a doença são atualizadas constantemente, bem como as indicações práticas a seguir, quer pela população, quer pelos profissionais. Os olhos estão postos no sistema de saúde e, num contexto de urgência como o atual, todas as ferramentas que permitam reagir rápida e eficazmente, são preponderantes.

A partir de hoje, os grupos hospitalares com os quais trabalhamos têm esta opção no software de simulação clínica dos respetivos hospitais.

A simulação médica cresceu exponencialmente, nas duas últimas décadas: as instituições educativas definiram horas de formação baseada em simulação em complementaridade com as horas de prática clínica em contexto real; a evidência científica comprovou que esta metodologia diminui as assimetrias entre a teoria e a prática assistencial; o procedimento revelou-se igualmente relevante para aumentar o grau de confiança dos profissionais em momentos críticos em que o tempo para tomar decisões é curto - a resposta a uma nova doença com potencial de contágio elevado é mais um desses casos.